Um clima de indignação tomou conta do estádio após a partida entre América-MG e Palmeiras, válida pelo Campeonato Brasileiro Feminino, neste domingo (26). As atletas de ambos os times protagonizaram um protesto unificado após denúncias de assédio por parte do árbitro da partida, cujo nome não foi divulgado oficialmente. O caso, que já ganha repercussão nas redes sociais e entidades esportivas, reacende o debate sobre a segurança e o respeito às mulheres no futebol.
O Protesto
Ao final do jogo, que terminou com vitória do Palmeiras por 2 a 1, as jogadoras se reuniram no centro do campo e permaneceram em silêncio por cerca de um minuto, com as mãos sobre a boca – gesto simbólico utilizado para representar a falta de voz diante de situações de abuso. Algumas atletas carregavam faixas com frases como “Assédio Não é Arbitragem” e “Respeito às Atletas”.
Segundo relatos de fontes próximas às equipes, a denúncia partiu de uma jogadora do América-MG, que teria sido alvo de comentários inadequados por parte do árbitro ainda no intervalo da partida. A informação foi repassada às companheiras e, em solidariedade, as atletas do Palmeiras aderiram ao protesto.
Repercussão Imediata
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) emitiu uma nota afirmando que “apura com seriedade as denúncias e tomará as medidas cabíveis após a conclusão do processo”. Já a Federação Mineira de Futebol (FMF), responsável pela indicação do árbitro, informou que “o profissional está afastado preventivamente até que se esclareça o ocorrido”.
Entidades de defesa dos direitos das mulheres no esporte, como a ONG “Atletas pela Igualdade”, cobraram punição exemplar caso a denúncia seja confirmada. “Não podemos naturalizar esse tipo de comportamento. O futebol feminino luta diariamente por respeito, e casos como esse mostram que ainda há um longo caminho a percorrer”, afirmou a diretora da organização, Maria Silva.
O Jogo em Si
Em meio à tensão, o Palmeiras manteve a liderança do grupo após vencer o América-MG com gols de Duda Santos e Byanca Brasil. A equipe mineira descontou com Gabi Zanotti, mas não evitou a derrota. No entanto, o placar ficou em segundo plano diante da gravidade das denúncias.
Próximos Passos
O caso deve seguir para a Comissão de Disciplina da CBF, que ouvirá as partes envolvidas e analisará possíveis provas, como gravações de câmeras e depoimentos. Enquanto isso, o movimento das jogadoras já inspira debates sobre a necessidade de maior preparo e fiscalização nos quadros de arbitragem no futebol feminino.
O grito silencioso das atletas ecoa além do gramado. Resta saber se as instituições estarão realmente dispostas a ouvi-lo.